Esther Rooftop Café

Os cafés tem como principal característica a socialização.

É notória a transformação desse espaço ao longo do tempo, se tornando cada vez mais num lugar democrático, acolhendo todo o tipo de ocasião e permitindo cada vez mais a atitude de interação, de troca, no interesse intrínseco de todos verem e serem vistos por todos.

Já foi o lugar para articulações políticas, e também é palco para a conversa a dois, para os encontros de negócios, para aqueles que falam sobre a mesa ao lado e que trocam olhares de admiração ou censura…

Dispostas como numa plateia, as mesas dos cafés ganharam o espaço das calçadas, na conquista da paisagem dinâmica, observando tudo o que acontece na rua e à sua volta.

O Esther Rooftop Café da Modernos Eternos SP’ 2020 abraça esse conceito numa leitura atual no seu décor, que remete ao olhar de cada um de seus visitantes à observação, como quem passa na rua e vê as mesas dispostas à frente das portas dos cafés, com os toldos debruçados sobre as calçadas.

Esse simbolismo definido na disposição geométrica da passarela de acesso do público, enfatiza a importância da entrada nos espaços…

É um foyer ao ar livre, que representa a primeira interação do usuário no espaço do ambiente, se transformando no palco de um grande acontecimento: a chegada do público onde todos desviam os olhares de suas mesas para os novos personagens, novos agentes desse cenário.

Não poderiam faltar no mobiliário e luminárias exclusivos da “Casual Móveis”, a releitura das tradicionais mesas redondas com suas cadeiras bem próximas, bem juntinhas… já definido no conceito original do café parisiense; mas que também misturadas aos dois lounges, numa leitura atual destinando maior espaço para grupos com conversas e discussões mais calorosas na parte central do jardim.

O som ambiente do tradicional jazz com suas releituras pelo tempo passado, foi interpretado na playlist elaborada especialmente para o espaço da mostra pela DJ Dri Carvalho, responsável pela sonorização dos grandes eventos na área de hotelaria e marcas internacionais do eixo das cidades do Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A representação das imagens e espaço 360 graus foram desenvolvidas para o ambiente da mostra pelo escritório gráfico de realidade virtual “Archigraph” (www.archigraph.com.br), e acontecem no momento simbólico de um dia ao entardecer; quando a iluminação dá o foco dramático à cena, os pássaros cantam sobre os galhos do frondoso pau ferro que reveste o céu do jardim da casa modernista de Gregori  Warchavchik  .

Se por um lado as mesas buscaram os espaços abertos das calçadas, no layout do projeto a rua fica atrás das portas virtuais da cena.

A proteção simbólica da tela inox emoldurada pelos pórticos remete às nossas necessidades atuais de proteção a tudo que nos é externo, fora do nosso controle, invisível aos nossos olhos…

Mais uma vez a cena volta os olhares para o grande painel colorido com mais de 2000 azulejos, criado exclusivamente para o espaço pela arquiteta e artista plástica Monica Camargo; que também assina as linhas de azulejaria que o compõem, remetendo na sua geometria à linguagem modernista dos painéis nas paisagens de Burle Marx.

O jardim proposto para o espaço preserva os grandes maciços de vegetação já existentes no terreno, como as costelas-de-adão sobre o painel de azulejaria; além dos maciços arbustivos também presentes nos limites junto aos muros laterais, em composição com os painéis em chapa de aço corten perfurados e retro-iluminados.

A forração em grama no espaço central tem seus limites definidos por um desenho de uma curva sinuosa, permitindo sensações durante o caminhar dos usuários; que além de setorizar as duas áreas adjacentes ao caminho central gramado, define a área do deck em madeira ecológica aplicado sobre a estrutura metálica sob a área das mesas, numa alusão aos revestimentos internos em pisos de assoalho de madeira, dos cafés tradicionais.

De um lado, a área destinada ao convívio do público e do outro, a área destinada à grande passarela, que representa a rua com sua paisagem colorida representada pelos azulejos ao fundo.

O mármore travertino silver bruto, da “NPK Mármores”, com corte assimétrico e irregular, reveste o piso da varanda e também a primeira área do banheiro do público.

As costaneiras em mármore travertino clássico, quebradas a mão constroem as muretas do jardim e a alvenaria que divide os espaços de acesso ao banheiro, na área da distribuição da copa: um óculo nessa superfície nos permite um rápido olhar ao movimento do serviço do restaurante e serve como fundo ao mobiliário destinado à espera, na varanda coberta, adjacente à sala anterior do banheiro.

A marquise metálica com  forração em madeira ripada, também concretiza no simbolismo circular vazado a linguagem tão característica do Modernismo, representada nas marquises das grandes edificações.

O teto em concreto da varanda penetra no primeiro espaço interno do ambiente do banheiro público, destacando o fantástico plafond em folhas de murano rugoso, de origem italiana, da “Juliana Benfatti Antiguidades e Excentricidades”, que se reflete nos espelhos com moldura em cristal francês da década de 40, com iluminação embutida, também do seu acervo.

A leitura da madeira ripada também reveste a alvenaria lateral à seteira da copa e é aplicada à grande porta-painel, que quando aberta dá a continuidade ao revestimento de forração da cabine reservada do banheiro, também em madeira ripada.

A iluminação no piso da ante sala do banheiro enfatiza a textura da madeira.

Uma grande estante em resina acrílica na cor preto, composta por nichos com revestimento em azulejaria destacada pela iluminação embutida no fundo, definem um painel artístico para o banheiro: é como enquadrar os quadradinhos que geometrizaram tantos espaços modernos ao longo do tempo.

Da geometria modular da estante surgem como numa explosão concreta, a base de apoio das cubas em louça e misturadores, com design exclusivo assinado por Arthur Casas para a Deca.

Nos nichos ao lado da estante, o destaque para o enxoval da Casa Almeida, também representado na imagem impressa na bancada em resina retroiluminada.

E ao voltar ao espaço observamos a rua reticulada ao fundo da malha de aço inox…

Já é noite!