Jardim Lá Fora

Um jardim para sentir, tendo como inspiração a árvore pau ferro que habita majestosamente o espaço desde os anos 1930. No entorno desta árvore nasceram movimentos como o muro com volumes que sacam da parede em vasos agigantados e peças reutilizadas de sobras de aço corten formando floreiras de tamanhos, alturas e encaixes, brotando plantas verticais (palmeiras) e horizontais (folhagens e forrações) muitas delas de comer, nomenclaturadas PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais), fontes fluindo dos encaixes deste muro vivo, reflexo de um depósito de água de chuva coletada e tratada para abastecimento hídrico do jardim e das fontes, tudo devidamente planejado para que os olhos parem em cada detalhe.

Um jardim criado para andar devagar, observando e sentindo os volumes que nascem do solo formando pisos esquadrinhados mais altos e baixos em gramados de textura e cores diferentes, pufes de vegetação e de gabião se misturam ao sofá que se estende por toda a extensão, e almofadões gigantes convidando o visitante a sentar, deitar e se esticar, possibilitando todas as formas de vivenciar o lugar sentindo o cheiro do verde, os sons da natureza e as formas propostas nas espécies vegetais escolhidas para ali contextualizar.

Penso em espaços externos como um combinado de sensações entre arquitetura e paisagem onde o destaque, ‘A Natureza’ deve ser reverenciada com respeito. Produzi-la para as pessoas, trazendo-as para uma linda e leve simbiose.

Neste projeto a sustentabilidade e a interatividade com o meio ambiente foram utilizados na forma de reuso de materiais, reuso da água de chuva, tintas produzidas com vários tipos de terra, plantas e insumos orgânicos sem defensivos e agrotóxicos, com a reutilização de espécies existentes no jardim, que foram respeitadas e reintroduzidas. A troca com o nosso meio pode e deve vir de várias formas, – usá-las não é mais um luxo, e sim uma necessidade.