Minimalismo Barroco

Barroco foi um ismo que, através do dinamismo de movimentos, linhas curvas e sinuosas, enaltecia um deus e ajudantes demiurgos, que viviam em um céus mÍstico, desconhecido. E a partir destas oferendas da estética, teríamos nos humanos as bençãos dos deuses, mas isso representava também um caminho tortuoso de ascenção. Para as melhores qualidades do humano. Hoje, estamos sendo arremessados no mundo digital, um campo virtual de múltiplas dimensões e realidades. Logo após a Segunda Guerra Mundial, momento meio parecido com a crise atual, nasce a arquitetura Brutalista. As linhas retas e a simplicidade de formas, na busca da funcionalidade, eram uma maneira possível de criar, junto à situação da construção civil do pós-guerra, também uma chamada para o humano, para o poder interior do ser, colocando este sujeito como centro da ação e não mais coadjuvante de um mundo divino que flutua em um céu invisível.

Minha pesquisa de trabalho busca uma paisagem de frequência e vibrações de caráter espiritual ou, melhor se dizer, virgem. O que é isso? Deveria ser aquele lugar onde surgem as possibilidades antes de se fragmentarem em nossos desejos, onde todas as possibilidades existem e ainda não foram determinadas. Tenho duas obras, que exploram estas duas vertentes, são elas: Flux_ , que através das suas formas dinâmicas e curvas cria uma situação de atração, mas ao mesmo tempo, de distanciamento, onde uma força gravitacional seduz ao abismo e absolvição (Barroco). E Everything is a reflex_, onde sua estrutura brutal e superfície negra, de tamanha intensidade, invadem a retina do espectador sem pedir licença, levando todo o reflexo do ambiente junto com sua própria imagem em um só plano unificado (Brutalismo). A realidade virtual nos coloca entre estas paredes, em um céu aberto. O projeto de Warchavchik, nos coloca na terra, um ponto fixo. Um mundo de Magritte, o surrealismo nunca foi tão real.