Sala de Estar com Gato

A Mostra Modernos Eternos 2020 é a primeira digital no Brasil e acontece na Casa Manifesto de Gregori Warchavchik, de 1930, em São Paulo, na Rua Bahia em Higienópolis. A obra é contemporânea à icônica Ville Savoye de Le Corbusier e 3 anos mais nova do que o bairro de Weissenhof em Stuttgart, um mostruário de residências modernistas, numa linguagem posteriormente conhecida por International Style. As formas prismáticas em alvenaria branca, despidas de cores, revestimentos ou qualquer ornamento serviram de base para a nossa intervenção. A ideia da caixa branca foi mantida e reforçada internamente. Preservamos os tetos e as paredes brancos e optamos por um piso igualmente pintado em branco, como reflexo da volumetria interna e externa da residência. A janela em fita, indispensável e onipresente neste período, recebeu a velatura de uma cortina transparente. Portas-painéis pivotantes e espelhadas, de extração Art-Déco e moduladas de maneira semelhante ao antigo teto iluminado da sala de jantar vizinha, geram novas e inesperadas perspectivas, multiplicando o mobiliário e as obras de arte expostos. O espaço, destinado a uma Sala de Estar, é central na área social da residência e comunica-se com outros três espaços laterais, o que nos colocava diante de uma série de circulações cruzadas, dificultando a resolução do layout. O mobiliário, distribuído de forma assimétrica, organiza-se a partir do sofá contemporâneo e curvo de Paolo Castelli (2020) para a Casual Móveis, descrevendo um arco sob a janela em fita, descolando-se da ortogonalidade dos espaços. Reedições de clássicos modernistas brasileiros como a mesa lateral Warchavchik (1928), a mesa de centro Aranha, de Branco &Preto (1952), a poltrona e pufe Annette, além do bar Gávea, todos de Jorge Zalszupin (1959), para Etel, sublinham o espaço. A poltrona PK 20 de Poul Kjærholm (1967) da Fritz Hansen, em couro, vime e metálica, com suas formas curvas e leves contrapõe-se ao bloco maciço e compacto em madeira do bar. As banquetas PK 33 (1959) e Eames Walnut Stool (1960) para Atec, completam o ambiente. Luminárias que contam a história do design, como a Bubble Pendant (1952) de George Nelson – Fritz Hansen para Atec e a Taccia (1962) de Achile Pier Castiglioni – Flos para a Casual Móveis, além de um importante conjunto de objetos, completam o projeto. Entre os mais antigos o boneco Monkey (1951) do dinamarquês Kay Bojesen e os vasos da Venini – Murano, Bolle Bottles (1966) do finlandês Tapio Wirkkala. Entre os mais recentes, os vasos Ikebana de Jaime Hayón e o vaso em madeira Estação, de Lia Siqueira, de 2016 e 2019 respectivamente. Os tecidos e superfícies têxteis são naturais, como os tecidos para cortina, (montada com o Sistema Wave – Uniflex), e sofá, em linhos Twin e Varese, assim como o tapete em lã de ovelha Sheep, todos da Empório Beraldin. Obras de arte da Galeria Simões de Assis – SIM, foram cuidadosamente selecionadas, estando presentes grandes artistas plásticos brasileiros, como Eliane Prolik, Célia Euvaldo e Antonio Malta Campos, além do modernista uruguaio, Carmelo Arden Quin, um dos fundadores do movimento MADI em 1946, na Argentina.