Sala de Jantar

A escolha da sala de jantar vem de uma longa curiosidade que nutro, desde sempre, por este ambiente específico. Tendo tido contato com fotografias preto e branco das casas de meu avô desde pequeno, o teto ‘futurista’ desta sala sempre me encantou.

Quando comecei a me interessar pela obra de Warchavchik, já estudante de arquitetura, acabei por conhecer a casa da rua Bahia, isso há uns trinta anos, mas para minha decepção aquele teto fantástico não mais existia. O terraço com seu parapeito modernista havia sido incorporado à sala de jantar, e está perdido seu encanto.

Quando do convite para a participação desta Mostra, logo pensei – uma vez que ela seria virtual: “eis a chance de ver aquilo como era originalmente!!! Bora montar!!!”

O que me animou também foi a descoberta, no ano passado (essas coisas quase nunca são ao acaso), da existência dos móveis originais daquele ambiente, que apareciam na foto! Estão todos no LL Antiguidades, nos Jardins, em São Paulo, tendo sido possível medi-los e redesenhá-los virtualmente!

Então o mote do meu ambiente foi a recriação daquele ambiente original, do teto luminoso aos móveis, e complementando com móveis vintage daquela época, ou coisas atuais que se relacionam a isso de alguma forma.

O antigo terraço ficou destacado como um nicho, e a volumetria original da sala restaurada. Pelas fotografias e descrição de época, foi possível refazer o teto com seus vidros em suas cores originais. A bela mesa central e suas cadeiras e o aparador voltaram ao lugar de onde jamais deveriam ter saído….

Compus o restante do ambiente com móveis de Warchavchik, alguns pouco conhecidos, como o carrinho de chá, e uma mesa circular de Lasar Segall, seu concunhado. Gravuras de Niemeyer tinham tudo a ver. E alguns elementos como o tapete ‘berber’ complementam o ambiente naquilo que o Modernismo tinha de mais central ao seu projeto: a simplicidade, a ausência de historicidade e de elementos desnecessários. São todos eles ‘autênticos’.