Sala dos Espelhos

Através dos livros da Editora Olhares, esta sala de leitura conta a história do design brasileiro de móveis, desde o surgimento da arquitetura moderna e de um novo modo de morar até suas expressões contemporâneas. Essa história se inicia, justamente, com a arquitetura e o design de Gregori Warchavchik, passa pelos grandes nomes do móvel moderno e por uma fase de transição para a contemporaneidade nos anos 1980 e 90 para chegar em grandes nomes da atualidade. Sua linha do tempo mostra como nossos interiores se transformaram no que são hoje. Desde o Modernismo, a tecnologia mudou a relação da arquitetura com o mundo. Novas experiências na maneira de construir e usar o espaço só foram possíveis pela transformação acelerada e pela industrialização. O movimento moderno faz uso das proporções e as transformam em ferramenta básica para a criação dos espaços, sendo geometricamente perfeitos, simétricos ou abstratos, provando que funcionam de todos os pontos de vista, até mesmo invertidos ou de ponta- cabeça. Uma das lições que aprendemos com essa arquitetura foi a observação do comportamento do usuário, da proporção do corpo humano, do relacionamento com os espaços privados, mas principalmente com os espaços públicos. Para nós, esta observação guia e esculpe um novo modelo de ambiente, novas formas de uso dos espaços e da arquitetura. Hoje usamos as nossas tecnologias de criação e fabricação digital para projetar um novo espaço totalmente virtual. O piso metálico espelhado, que nos ajuda a surpreender os visitantes e causar curiosidade desde a chegada pela escada da casa, faz menção à ‘máquina’, elemento de exploração dos célebres arquitetos deste período. Na sala, as esferas espelhadas do Barragan e o fogo da lareira nos permitem compreender que a nova estrutura está esculpida no teto. Pensando em uma cidade tão grande, multicultural e diversa quanto São Paulo, a leitura não é mais uma ação estática. Os espaços de leitura podem acontecer nos lugares mais improváveis como o transporte público, os cafés repletos de ruídos, os parques e praças mais silenciosas, na cama durante as últimas horas do dia, nas escolas, nas mesas de jantar ou em poltronas extremamente confortáveis. Todos estes ambientes diversos, repletos de texturas e cores, são aplicados de maneira inusitada em conjunto com peças de arte e design de Gregori Warchavchik, Charles e Ray Eames, Jorge Zalszupin, Lasar Segall, Gustavo Amaral, Gustavo Bittencourt, Zanini de Zanine, Paulo Alves, Claudia Moreira Salles e contam a experiência rica e imersiva da leitura. A vista da sala em 1930, antes de todas as construções, era um panorama dos morros limpos do Pacaembu. Hoje queremos criar um elemento introspectivo, um palco virtual de jazz suspenso para o jardim, unindo arquitetura, música, leitura e arte, modificando assim seu horizonte.