SALA OFF

Em um momento de muitos ruídos e excesso de informação, é cada vez mais importante dedicar parte do nosso tempo para desconectar e olhar para dentro. Esse foi o nosso ponto de partida na criação deste projeto, que tem uma das casas modernistas mais icônicas de São Paulo, projetada por GregorI Warchavchik, como protagonista. O espaço tem pontos muito interessantes e singulares que nos ajudaram a definir o seu uso. Localizada na parte inferior da residência, a sala é ampla e tem o pé direito generoso. É perto da escada, mas ao mesmo tempo reservada em relação ao núcleo principal das atividades da casa. Perfeita para abrigar a Sala Off, pensada para momentos necessários de pausa. Todo o ambiente foi criado em tons claros, estofados confortáveis e tecidos naturais, e possui texturas que convidam à uma experiência sensorial. Logo na entrada, bem minimalista com parede revestida em linho (Donatelli), posicionamos um par de arandelas vintage (loja Teo) como ponto focal. Entrando na sala, temos uma grande parede com painéis de espelhos envelhecidos e uma importante obra do artista brasiliense Rodrigo Bivar (SIM Galeria).

Ocupando quase toda a extensão desta parede, montamos um longo móvel composto de elementos modulares da marca suíça USM na cor off-White (Atec Original). A tecnologia de ponta está nas caixas de som alemãs da marca Avantgarde e no toca discos de vinil de mármore, desenhado por Pierre Riffaud para Saint Laurent. O forro e parte das paredes têm materiais acústicos revestidos em tecido, trazendo ainda mais privacidade para o uso do ambiente. Dois grandes elementos chamam a atenção e equilibram o espaço. O desenho, em preto e branco, no teto que criamos inspirados pelas pinturas contemporâneas de Richard Serra e o tapete (Botteh), também desenhado pelo Studio LDM, inspirado em Le Corbusier como uma homenagem ao modernismo dos painéis pintados pelo arquiteto em residências nas décadas de 40 e 50. Pensando no conforto e no aconchego, abusamos das formas e mobiliários orgânicos. A estante cartesiana em sua divisão, projetada em pergaminho (Empório Beraldin), abriga uma importante coleção de vinis e ganha desenho com uma curva suave, local perfeito para expor a grande escultura do artista Armarinhos Teixeira, que tem como premissa de trabalho o limite entre natureza e arte. Ancorando o estar, o grande sofá modular em camurça verde da Casual Móveis fica em frente às poltronas Pacha de 1975 de Pierre Paulin, também da Casual Móveis, e Alta de Oscar Niemeyer, da Loja Teo, da década de 70. O complemento perfeito que faz o link entre todas essas peças, é a mesa Tapis de latão e mármore Breccia Oniciata (NPK mármores) do Studio LDM, também de formas orgânicas com inspiração nas curvas desenhadas Burle Marx. A iluminação é outro ponto importante nessa busca por um ambiente agradável. Totalmente indireta, suas peças podem ser controladas individualmente dependendo do “mood” da ocasião. Temos no centro a luminária OTTO do Studio David Weeks, na Firma Casa, voltada para cima e pensada para destacar a pintura no teto. Distribuídas em todo o ambiente, temos uma profusão de luminárias vintage, passando pela peça de piso da Dominici década de 70, Legado Arte até a luminária de mesa Pipistrello de 1965 da Loja Teo. Ter uma sala em uma das pioneiras casas modernistas, focada em desconectar, cercado de obras de arte e peças com design de diferentes épocas, tirando proveito do melhor que a tecnologia pode oferecer, é realmente um privilégio que deve ser apreciado nos mínimos detalhes.

STUDIO LDM por Luciano Dalla Marta

Cada peça desenhada pelo Studio LDM traz um pouco do meu olhar de arquiteto e da mistura das referências acumuladas ao longo de muitos anos de trabalho em arquitetura, observação, viagens e experiências. Busco uma identidade própria e um desenho singular que faz essa união e se materializa nas peças. Na minha linha de mobiliário e complementos, procuro criar peças contemporâneas, atuais, porém atemporais. Como todo o meu trabalho, as inspirações muitas vezes estão na própria arquitetura, na arte, e na admiração especial que tenho pelo mobiliário vintage. Tenho especial carinho pelas manifestações artísticas da década que vão de 1940 a 1970, como tapeçarias, azulejos, quadros, arquitetura e o mobiliário em si.