Terraço de Taipa

MANARELLI GUIMARÃES Brasilidade à vista Os arquitetos Thiago Manarelli e Ana Paula Guimarães criaram, para a mostra Modernos Eternos 2020, o Terraço da Taipa, que mescla elementos do modernismo em uma linguagem atual. Claro, limpo e leve, o ambiente de 70 m² é para ser vivenciado plenamente Espaço multifuncional para uma família aproveitar a valer, o Terraço da Taipa é o ambiente criado pelos arquitetos Thiago Manarelli e Ana Paula Guimarães, do escritório Manarelli Guimarães, para a mostra Modernos Eternos 2020. Antes vazio, o pátio de 70 m² da casa modernista de 1930 erguida pelo arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik na Rua Bahia, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, transformou-se completamente. Agora ali, conforme a concepção da dupla, é possível ouvir música ou ler um livro com tranquilidade, receber amigos e até trabalhar – com a melhor vista que se tem da casa. Uma das paredes revela o emprego da taipa, técnica construtiva bem brasileira, exibindo sua textura típica em uma linguagem atual. “A ambientação clara tem poucas peças, mas fortes e pontuais”, afirma Thiago. Móveis icônicos como a poltrona vintage Chifruda (1962), do mestre Sergio Rodrigues, ou a escrivaninha de jacarandá da mesma época, da Loja Teo, juntam-se a peças atuais, caso das assinadas pelo Estudiobola, a maioria, da ZF2 Móveis. Há também a poltrona Línea, de madeira ripada, de Paulo Louzada, da Mac — mesmo fornecedor do balanço que fica na varanda do ambiente, em conjunto com a chaise Jurerê, da HIO. Da Zeca Fernandes Galeria de Arte, as obras de arte, por sua vez, fazem releituras do período modernista, com certo regionalismo, e são assinadas pelos artistas Moacyr Travaglia, do Espírito Santo, Jenner Augusto, de Sergipe, e Lu Brito, da Bahia. “O espaço versátil exibe uma decoração que traz leveza”, considera Ana Paula. Ela ainda destaca o tecido da Arte Nativa Aplicada, da Donatelli, usado para revestir uma antiga poltrona, a iluminação com peças da Lumini e as persianas da Uniflex com xale de gaze de linho. A ideia foi evocar o importante movimento do Modernismo de maneira não óbvia, sem perder a atualidade. Intervenção De maneira limpa e suave, a intervenção arquitetônica foi a menor possível para não descaracterizar a construção. que é tombada. Entre os elementos de destaque no espaço, há a estrutura metálica do tipo steel frame, que pode ser facilmente montada e desmonatda, sem geração de entulho, erguida sobre a laje, com pilotis e um extenso painel de vidro ao longo da construção. “Tudo para enfatizar que a anterior já existia e está mantida e que a nova revela-se solta da mesma”, comenta Ana Paula. Isso também graças ao vidro aplicado na iluminação zenital, que ajuda a evidenciar o que é novo e o que é antigo. “É como se fizéssemos uma implantação silenciosa e discreta, como se a casa tivesse incorporado um espaço e esse espaço chegasse educadamente a ela”, considera Thiago. Os arquitetos ainda incorporaram ao projeto a escada que leva à última laje. Tingida de tom terroso, ela serve agora para acessar os itens dispostos na estante modular ao lado. Os dois também usaram carvalho clareado em forma de chevron, aplicado no piso e teto para criar uma espécie de caixa neutra. “Já as esquadrias foram pintadas de verde-esmeralda, como os característicos brises do modernismo”, arrematam os arquitetos. Já o paisagismo de Carla Oldmburg ocupa vãos predeterminados, além de apresentar um teto verde, que é sustentável, oferecendo sombreamento e melhor isolamento térmico. Desde 2007 O escritório Manarelli Guimarães foi fundado em 2007 pelo paulista Thiago Manarelli, 39 anos, e pela baiana Ana Paula Guimarães, 45 anos. Do encontro de ambos, nasceu a empresa sediada em Salvador e São Paulo, com atuação nacional e no exterior. Há projetos da dupla espalhados pelo Brasil e em Portugal, nos Estados Unidos e na Austrália. Prestes a completar 15 anos, o escritório hoje é uma marca que, além de arquitetura e interiores, abarca outras atividades, como curadoria e design de produtos. O estilo de Thiago e Ana Paula valoriza a mistura de design, arte e aspectos regionais, refletindo-se em projetos únicos, que antes de tudo respeitam a história e o modo de vida de seus clientes. Uma curiosidade é que na primeira mostra de decoração de que participaram, em 2009, os profissionais empregaram a taipa – agora revisitada no projeto desenvolvido para a mostra Modernos Eternos.

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